quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Harry Potter e sua contribuição ao cinema

É este o grande trunfo de Harry Potter: inflar egos.
Este blog não é entusiasta de prêmios da indústria do cinema, como o Bafta e o Oscar (veja mais sobre o assunto aqui e aqui).

   E eis, que hoje, apenas para corroborar essa opinião, foi anunciado que J.K. Rowling, autora da série de livros Harry Potter, e David Heyman,  produtor da série de filmes homônima, receberão o Prêmio de Excepcional Contribuição ao Cinema Britânico do Bafta.
   Há poucas coisas que reflitam melhor a ligação entre a cultura de massa e a de elite que séries de livros. No Brasil, Monteiro Lobato já o fez repetindo os preconceitos da elite paulista do início do século em O Sítio do Picapau Amarelo. J.K. Rowling repete os truques da cultura de massa (e no cinema, Harry Potter não é senão isso) em seus livros, dizendo aquilo que seu público, a elite em nível mundial, espera ouvir. Com requinte e sofisticação, sim, mas no fundo é o mesmo método da cultura de massa (veja aqui e aqui essa discussão).
   E mais, traz, através da repetição dos personagens em diferentes enredos, a familiaridade com o ambiente mítico. Ou seja, não propõe nenhum tipo de temor. O público, assim, está a salvo de qualquer intempérie. A leitura é fácil e indolor.
   Isso nos leva a pensar sobre o prêmio em questão. Qual é a real contribuição de Harry Potter ao cinema Britânico? Porque seu produtor, e não seu diretor está recebendo este prêmio? Segundo os promotores do Bafta: "Os filmes de Harry Potter não apenas criaram estrelas diante das câmeras, mas também ressaltaram a capacidade da indústria artística e técnica britânica, abrindo uma série de empregos durante sua produção.".
   Este esboçador fica muito feliz que empregos tenham sido criados na Inglaterra (embora ache que fosse melhor que fossem empregos permanentes), mas para isso, um prêmio do Ministério do Trabalho (ou seu equivalente inglês), seria mais coerente.
   Quando falamos de cinema (arte em primeira análise), a criação de estrelas e empregos, a indústria,  deveriam ficar no segundo plano.
   O cinema britânico é realmente devedor a Harry Potter? Deve, o cinema britânico, à técnica de Harry Potter, aos efeitos visuais e à beleza estética (inegável) de Harry Potter?  O cinema britânico deve a David Lean, a Charles Chaplin (sim, ele fazia cinema para as massas, mas sem pesquisas de opinião. Cinema, para ele, não era massa de tomate).
   Não tenho nada contra Harry Potter e o cinema de entretenimento, mas há que ser dito que o Bafta é um prêmio da indústria. Premia produções, investidores, empregadores. Não a arte. Isso, para o Bafta (e seus análogos), está num nível abaixo.
   A Harry Potter, devem os investidores britânicos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...